O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) arquivou o inquérito policial que investigava o ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Urussanga, Odivaldo Bonetti, o Bonetinho, por suposta corrupção passiva relacionada à alegada privatização do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae). A decisão encerra uma investigação que se estendeu por quase cinco anos, desde a deflagração da Operação Hera, em dezembro de 2021, até o arquivamento definitivo pela Justiça, em maio de 2026.
Na época da operação, Bonetinho foi afastado cautelarmente do cargo de vereador e da presidência da Câmara. A investigação apurava a suspeita de que ele teria negociado o recebimento de vantagem indevida em um eventual processo de privatização ou terceirização do Samae.
Segundo a promoção de arquivamento assinada pelo promotor de Justiça Joel Zanelato, as diligências realizadas pela Polícia Civil não conseguiram reunir elementos mínimos que comprovassem a prática do crime investigado. O Ministério Público concluiu que não foram encontrados indícios concretos de solicitação, recebimento ou promessa de vantagem indevida por parte do então vereador, inexistindo justa causa para o oferecimento de denúncia.
O pedido de arquivamento foi protocolado pelo Ministério Público em 24 de outubro de 2025. Posteriormente, a Vara Regional de Garantias da Comarca de Criciúma acolheu a manifestação ministerial e determinou o arquivamento definitivo do inquérito em 27 de maio de 2026, sem prejuízo da possibilidade de reabertura das investigações caso surjam novas provas, conforme prevê o Código de Processo Penal.
Conforme informações do advogado de defesa do ex-vereador, Filippe Echamendi Possamai, o procedimento investigativo permaneceu em tramitação por praticamente cinco anos sem resultar em ação penal. Segundo o advogado, durante esse período foram solicitadas diversas vezes a conclusão das investigações, até que a Polícia Civil elaborou relatório final apontando a inexistência de elementos suficientes para o indiciamento, entendimento posteriormente acompanhado pelo Ministério Público e confirmado pela Justiça.
“Desde o início nós já sabíamos da inocência do vereador e tínhamos convicção de que não existia qualquer indicativo de que ele tivesse cometido qualquer tipo de crime. O problema é que foram necessários quase cinco anos para que isso fosse oficialmente reconhecido. Sempre defendemos que era apenas uma questão de tempo para que a investigação chegasse a essa conclusão”, declarou Filippe.





