Santa Catarina registrou a criação de 63,2 mil empregos formais no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). O avanço na contratação de trabalhadores ocorre em um cenário que exige atenção das empresas para evitar conflitos e possíveis passivos trabalhistas.
No Brasil, mais de 5 milhões de processos trabalhistas aguardavam julgamento até 31 de maio. Para a advogada Tairine Miguel Gomes, do escritório Camilo Dagostin Advogados Associados, as mudanças no perfil das relações de trabalho e o aumento da rotatividade exigem que as empresas estejam mais preparadas desde a contratação até o desligamento dos funcionários.
Segundo ela, empresas que não acompanham essa transformação podem enfrentar dificuldades na gestão das equipes e na aplicação correta da legislação trabalhista. Entre os problemas mais frequentes estão falhas na contratação, no cotidiano das relações profissionais e nos procedimentos adotados no momento da demissão.
Horas extras e assédio estão entre os principais conflitos
As horas extras aparecem entre os assuntos mais recorrentes na Justiça do Trabalho, seguidas por questões relacionadas ao registro na carteira profissional. Também têm ganhado espaço ações de rescisão indireta, quando o trabalhador pede o encerramento do contrato alegando falta grave por parte do empregador.
Tairine também chama atenção para o aumento de processos envolvendo assédio e dano moral. De acordo com a advogada, algumas situações surgem de conflitos nas relações dentro da própria empresa e podem evoluir para disputas judiciais.
Ela destaca ainda que nem sempre o problema começa com uma irregularidade evidente. Situações relacionadas à forma como o trabalhador é tratado, à falta de acolhimento ou a problemas no ambiente profissional também podem contribuir para o surgimento de ações.
Prevenção pode reduzir riscos
A falta de documentação adequada e a ausência de preparo das lideranças estão entre os fatores que podem aumentar a exposição das empresas. Segundo Tairine, até mesmo iniciativas tomadas com a intenção de ajudar os funcionários podem gerar problemas quando não estão de acordo com a legislação.
Nesse contexto, o treinamento dos gestores é considerado importante, especialmente para prevenir situações relacionadas a assédio e dano moral. A orientação é que as empresas trabalhem não apenas com procedimentos formais, mas também com a forma como as relações profissionais são conduzidas diariamente.
Uma das ferramentas apontadas para esse trabalho é o compliance trabalhista. A estratégia permite revisar procedimentos internos, identificar possíveis riscos e adequar as práticas da empresa às exigências legais.
Entre as medidas estão auditorias de folhas de pagamento e processos internos, revisão de contratos e documentos, elaboração de regimentos e códigos de conduta e avaliação das relações entre gestores e funcionários.
Para a advogada, investir em prevenção antes do surgimento de um conflito pode deixar a empresa mais preparada para lidar com eventuais processos e reduzir a possibilidade de formação de passivos trabalhistas.





