A possibilidade de descontinuidade do ensino médio noturno voltou a mobilizar a comunidade escolar da Escola de Educação Básica Barão do Rio Branco, em Urussanga. O tema foi discutido durante uma assembleia realizada na terça-feira (20), que reuniu pais, professores e estudantes. Embora a reunião tivesse outros assuntos na pauta, a permanência das aulas no período da noite ganhou destaque entre os participantes.
Segundo o diretor da escola, Juliano Carrer, após a mobilização realizada anteriormente e o diálogo com a Coordenadoria Regional de Educação, foi estabelecido que a abertura de uma nova turma do 1º ano poderá ocorrer caso sejam reunidos 20 estudantes interessados. A partir da definição, a escola pretende contar com o apoio das famílias para identificar possíveis estudantes interessados.
Comunidade defende permanência do noturno
Durante a assembleia, pais e estudantes também se manifestaram sobre a importância de manter o ensino médio no período noturno. O Grêmio Estudantil preparou uma faixa em defesa da modalidade, enquanto os participantes destacaram diferentes motivos para a permanência das aulas à noite.
A estudante Bianca Sorato Felizardo ressaltou que o período é fundamental para quem precisa conciliar trabalho e estudos. “O ensino médio noturno é essencial para quem precisa trabalhar durante o dia e ainda deseja estudar, construir uma carreira e conquistar sua independência. Eu mesma trabalho oito horas por dia e, sem o período noturno, teria que escolher entre o trabalho e a educação”, afirmou.
Bianca também contestou a percepção de que o ensino noturno teria qualidade inferior. Segundo ela, os estudantes participam das aulas e levam os estudos a sério, mesmo após um dia de trabalho. Para a estudante, a manutenção da modalidade representa a possibilidade de continuar estudando sem precisar abrir mão do emprego.
O vereador Ivan Vieira (PL), que acompanha a mobilização desde o início, também participou da discussão e reforçou a defesa da permanência do ensino médio noturno. O parlamentar afirma que continuará acompanhando a situação junto à comunidade escolar e auxiliando nas tratativas para buscar uma solução.
Pais destacam atividades realizadas à noite
Durante a assembleia, pais também defenderam a continuidade da modalidade e destacaram que a presença da escola no período noturno vai além das aulas regulares.
Entre os argumentos apresentados estão os projetos e atividades realizados à noite, como vôlei, futsal, boxe e fanfarra. Segundo os relatos apresentados na reunião, aproximadamente 120 estudantes participam dessas atividades, que proporcionam integração, disciplina, convivência e um ambiente considerado seguro para os jovens.
As famílias também destacaram a relação construída com a escola ao longo dos anos. Alguns pais relataram que os filhos frequentam o Barão desde o 1º ano do Ensino Fundamental e ressaltaram o apoio recebido em diferentes etapas da trajetória escolar.
Também foram citadas iniciativas voltadas à preparação dos estudantes para o futuro, como encaminhamentos para estágios remunerados e oportunidades de emprego, orientações profissionais e preparação para o ENEM e para o ingresso no ensino superior. O acompanhamento oferecido aos alunos durante o período das provas também foi apontado como um diferencial.
Escola completa 85 anos
A defesa do ensino noturno também foi associada à trajetória da instituição, que completa 85 anos em 2026. Para a comunidade escolar, a história e a identidade construídas pelo Barão do Rio Branco ao longo das décadas reforçam a importância da manutenção da modalidade.
Atualmente, a escola possui uma turma de 2º ano do ensino médio noturno, com 16 estudantes, e uma turma de 3º ano, com 33 alunos. A preocupação com a continuidade surgiu após a unidade não abrir novas matrículas para o 1º ano da modalidade.
O ensino noturno é defendido principalmente como alternativa para estudantes que trabalham durante o dia ou possuem outras atividades que impedem a frequência às aulas no período diurno.
Campanha buscará novos estudantes
Como próximo passo, a escola pretende realizar uma campanha para divulgar a possibilidade de abertura do 1º ano do ensino médio noturno e buscar estudantes interessados em ingressar na modalidade.
A mobilização também prevê visitas a escolas da região para conversar com alunos que estão concluindo o Ensino Fundamental e que pretendem trabalhar em 2027. A proposta é apresentar o ensino noturno como uma alternativa para conciliar trabalho e estudos.
A comunidade escolar também pretende manter o diálogo com as famílias e com os órgãos responsáveis pela educação estadual para tentar garantir a permanência da modalidade no Barão.
CRE ainda não definiu oferta para 2027
A possibilidade de encerramento gradual do ensino médio noturno já havia sido discutida anteriormente em Urussanga. Na ocasião, a Coordenadoria Regional de Educação da Amrec informou que não havia uma definição sobre a continuidade da modalidade, já que o Plano de Oferta Educacional (POE) para 2027 ainda seria elaborado.
A coordenadora regional de Educação, Ronisi Guimarães, explicou que o planejamento leva em consideração a demanda de estudantes e a realidade de cada unidade escolar. Segundo ela, caso seja identificado número suficiente de interessados, não haverá impedimento para a abertura de uma nova turma de 1º ano no Barão.
Dessa forma, a mobilização atual tem como principal objetivo reunir os 20 estudantes necessários para viabilizar a abertura da turma e fortalecer a permanência do ensino médio noturno na escola.








