Aprender a usar computador, tablet e internet com mais autonomia e, principalmente, segurança. Esse é o objetivo das aulas de alfabetização digital que começaram nesta quarta-feira (2), em Cocal do Sul.
Pela manhã, a primeira turma reuniu 20 participantes atendidos pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). À tarde, a atividade será ampliada para aproximadamente 15 integrantes do grupo tradicional.
A vice-prefeita Roseny Cittadin explica que a proposta acompanha uma realidade cada vez mais presente no cotidiano da terceira idade. Serviços, informações e relações pessoais migraram para o ambiente digital, mas, junto às facilidades, aumentou também a exposição a fraudes. “Hoje praticamente tudo passa pela tecnologia. Ao mesmo tempo em que ela facilita a vida, também trouxe riscos, principalmente para os idosos, que acabam sendo alvo de muitos golpes. Queremos que eles aprendam a usar essas ferramentas, tenham mais independência e saibam identificar situações que podem colocá-los em risco”, afirma.
O trabalho faz parte do Alfabetização Digital na Terceira Idade: Prevenção e Enfrentamento à Violência Contra a Pessoa Idosa.
Nas oficinas, os participantes terão contato prático com ferramentas digitais e receberão orientações para navegar com segurança, reconhecer tentativas de golpes financeiros e fraudes tecnológicas e utilizar esses recursos no dia a dia.
Para a aposentada Judite Maffioleti, a primeira aula já representou o contato com algo que até então fazia parte da rotina das filhas e netas, mas não da dela. “Foi muito bom, eu gostei, porque eu nunca tinha tido acesso àquilo. As netas e as filhas têm, mas não têm muita paciência para ensinar a gente”, conta, bem-humorada. “Ali é tudo começo, tem que aprender, mas acredito que alguma coisa a gente vai aprender. É questão de tempo”, completa.
Inicialmente, seria atendido apenas o grupo do período da manhã, formado por pessoas em situação de vulnerabilidade acompanhadas pelo Centro-Dia.
A necessidade de ampliar o atendimento levou à formação de uma segunda turma. Os participantes têm diferentes faixas etárias, entre eles uma mulher de 85 anos.
Para a secretária municipal de Assistência Social, Maria Salete Cittadin, essa diferença exige um trabalho adequado ao ritmo de cada participante. “Temos pessoas com diferentes níveis de contato com a tecnologia. Por isso, as aulas são conduzidas por uma profissional de informática com experiência em alfabetização digital na terceira idade. Queremos que esse aprendizado realmente faça parte da rotina deles e traga mais segurança”, explica.
A iniciativa recebeu investimento de R$ 549.998,37, viabilizado por meio do Fundo Estadual do Idoso (FEI).
Com o recurso, foi estruturado o espaço para as atividades, com 21 notebooks, 20 tablets, mobiliário, impressoras e acompanhamento de uma monitora especializada.
Também foi adquirido um micro-ônibus adaptado para o transporte dos participantes, facilitando o deslocamento até as atividades e ampliando o acesso de quem possui dificuldades de locomoção.





