Criciúma está entre as cidades que foram alvo da Operação “Placebo”, deflagrada pela Polícia Civil de Santa Catarina. A ação investiga um grupo suspeito de aplicar golpes eletrônicos contra beneficiários de um plano de assistência à saúde de servidores públicos estaduais de Santa Catarina e seus dependentes.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão. Em Santa Catarina, as ordens judiciais foram executadas em Criciúma e Palhoça. A operação também alcançou a cidade de São Paulo e Campinas, no estado paulista, além do Distrito Federal.
A ofensiva foi coordenada pela Delegacia de Defraudações da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), com apoio das polícias civis de São Paulo e do Distrito Federal e do CIBERLAB, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Criminosos se passavam por representantes do plano
A investigação começou depois que a empresa responsável pelo plano comunicou às autoridades o uso indevido de sua identidade institucional em abordagens fraudulentas. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos utilizavam principalmente o WhatsApp para entrar em contato com beneficiários e se apresentar como funcionários ou representantes da instituição.
Para tornar os golpes mais convincentes, os criminosos utilizavam dados verdadeiros das vítimas e informações relacionadas a procedimentos que elas realmente haviam realizado, como pedidos de reembolso ou adesão ao plano.
A partir dessas informações, os suspeitos empregavam técnicas de engenharia social para convencer os beneficiários de que seria necessário realizar algum procedimento para liberar um reembolso ou regularizar determinado serviço.
Golpes envolviam PIX, empréstimos e acesso a contas
Durante as abordagens, as vítimas recebiam links maliciosos, aplicativos falsos ou eram induzidas a fornecer e confirmar dados pessoais e bancários.
Conforme as ocorrências analisadas pela Polícia Civil, os golpes poderiam resultar em transferências via PIX, contratação fraudulenta de empréstimos, acesso indevido a aplicativos bancários e tentativas de realizar compras de alto valor.
Pelo menos seis registros policiais envolvendo vítimas de diferentes cidades catarinenses foram identificados durante a investigação. Os investigadores também localizaram diversos números de telefone e endereços eletrônicos utilizados nas fraudes.
Investigação apura origem dos dados utilizados
Um dos principais pontos investigados é justamente a maneira como o grupo conseguia acesso a informações sobre procedimentos verdadeiramente realizados pelos beneficiários.
Em vários casos, as abordagens criminosas aconteciam pouco depois de a vítima ter feito uma solicitação real de reembolso ou adesão ao plano, aumentando a credibilidade do contato fraudulento.
Com os elementos reunidos durante o inquérito, a Polícia Civil conseguiu identificar suspeitos que estariam envolvidos em diferentes etapas do esquema e solicitou à Justiça as medidas de busca e apreensão cumpridas nesta quarta-feira.
Agora, os investigadores vão analisar equipamentos eletrônicos, documentos e outros materiais apreendidos para tentar identificar novos envolvidos, descobrir a origem dos dados utilizados pelos criminosos e dimensionar o número de vítimas e o prejuízo provocado pelo grupo.
Os investigados poderão responder, de acordo com a participação individual de cada um e conforme o avanço das apurações, por estelionato qualificado por meio eletrônico, falsa identidade e associação criminosa. Outros crimes também poderão ser identificados durante a investigação.
A Operação “Placebo” segue sob responsabilidade da Delegacia de Defraudações da DEIC, que dará continuidade à análise das provas recolhidas nos endereços investigados.





