A ocorrência de crimes contra a vida em Jaguaruna, Sangão e Treze de Maio tem levado o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a intensificar a atuação no Tribunal do Júri. Segundo dados encaminhados pela Polícia Civil à Promotoria, foram registrados 10 crimes contra a vida na comarca entre janeiro de 2025 e agosto de 2026.
Em 2025, foram contabilizados quatro homicídios e um feminicídio nos três municípios. Nos oito primeiros meses de 2026, foram registrados novamente quatro homicídios e um feminicídio. Diante do cenário, a 2ª Promotoria de Justiça de Jaguaruna passou a acompanhar de forma prioritária os casos desde a fase de investigação até os julgamentos.
Um dos casos que chegou ao Tribunal do Júri terminou com a condenação de dois homens no dia 18 de setembro. Eles foram responsabilizados pela morte de um homem, assassinado a tiros em fevereiro de 2025, no bairro Balneário Camacho, em Jaguaruna.
Conforme a denúncia do MPSC, o homicídio estaria relacionado a uma disputa por território ligada ao tráfico de drogas. Segundo a acusação, os dois homens utilizaram o veículo de um terceiro morador para procurar a vítima. Eles a encontraram caminhando próximo à residência e efetuaram diversos disparos. Três tiros atingiram as costas da vítima.
O carro utilizado na ação foi localizado pouco depois, abandonado após colidir contra o muro de uma residência situada a cerca de 500 metros do local do crime.
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que a vítima não teve possibilidade de defesa, já que foi surpreendida pelos autores, que estavam armados e utilizavam um veículo para executar a ação.
Os jurados condenaram os dois réus por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O homem que conduzia o veículo foi condenado a 16 anos e quatro meses de reclusão, em regime inicial fechado. Já o responsável pelos disparos recebeu pena de 22 anos, quatro meses e 24 dias, também em regime fechado.
A promotora de Justiça Raísa Carvalho Simões Rollin, que atuou no caso, destacou a importância da responsabilização dos envolvidos nos crimes contra a vida. O MPSC afirma que a atuação prioritária busca garantir que os casos sejam levados à Justiça e que os responsáveis sejam julgados.
Números chamam atenção
Os dados apresentados pelo MPSC também fazem um comparativo com a comarca de Tubarão, que abrange Tubarão e Pedras Grandes. No mesmo período analisado, foram registrados três homicídios, sendo dois em 2025 e um em 2026.
Segundo os dados citados pela Promotoria, os municípios de Tubarão e Pedras Grandes somam mais de 121 mil habitantes, enquanto Jaguaruna, Sangão e Treze de Maio reúnem aproximadamente 42 mil moradores. O MPSC aponta que a diferença populacional chama atenção para a quantidade de crimes contra a vida registrada na comarca de Jaguaruna.
Além do caso julgado em setembro, a 2ª Promotoria de Justiça acompanha outros processos relacionados a crimes contra a vida na região. Em abril deste ano, por exemplo, dois homens foram condenados pelo Tribunal do Júri de Jaguaruna por homicídio, tentativa de homicídio e corrupção de menores em um caso ocorrido em Sangão, também relacionado a uma disputa territorial entre facções criminosas.





