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Hospital de Urussanga avança para porte 3 e amplia serviços oferecidos pelo SUS

Mudança representa aumento do incentivo estadual de R$ 150 mil para R$ 370 mil mensais, mas também eleva as exigências e os custos para a unidade

Foto: Arquivo/ Portal Conexão Sul
Foto: Arquivo/ Portal Conexão Sul

O Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Urussanga, passou a ser classificado como porte 3 dentro do Programa de Valorização dos Hospitais (PVH) de Santa Catarina. A mudança representa um novo patamar para a instituição, que deixa a classificação de porte 2 e passa a receber um incentivo estadual maior, mas também assume novas metas relacionadas à oferta de serviços pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As informações foram repassadas em entrevista ao Programa Comando Marconi, da Rádio Marconi de Urussanga.

A conquista foi confirmada pela direção do hospital após a assinatura do termo de compromisso com o Estado e o recebimento da primeira parcela do novo incentivo. De acordo com a administradora Andréia Miranda, a mudança não representa apenas um aumento no repasse financeiro, mas o reconhecimento, por parte do governo estadual, dos serviços que já vinham sendo realizados pela instituição.

Para chegar ao porte 3, o hospital foi avaliado a partir de critérios como número de leitos disponibilizados ao SUS, tipos de atendimento, quantidade de internações, cirurgias, exames e taxa de ocupação. A oferta de atendimento em saúde mental e a disponibilização de tomografia pelo SUS também contribuíram para a pontuação da unidade.

Com a mudança, o incentivo passa de R$ 150 mil para R$ 370 mil. O recurso deverá ajudar a reduzir parte do déficit mensal do hospital, mas não representa dinheiro livre em caixa. O aumento da classificação também exige a ampliação e manutenção da oferta de serviços, o que gera novas despesas com profissionais, medicamentos, materiais, exames, honorários médicos e demais custos operacionais.

Mais serviços e maior responsabilidade

Segundo a direção, o hospital já vinha trabalhando há mais de dois anos para atender aos critérios necessários à mudança de classificação. A partir de agora, será necessário manter os indicadores que permitiram a conquista.

A administradora explica que a avaliação considera exclusivamente os serviços disponibilizados pelo SUS. A instituição possui certificado de entidade beneficente e deveria cumprir um percentual mínimo de atendimento público, mas, na prática, a demanda atendida pelo SUS é superior ao exigido.

A taxa de ocupação também é um dos indicadores acompanhados. Caso fique abaixo do percentual estabelecido, a unidade pode perder pontuação. Além disso, a legislação estadual prevê descontos no incentivo caso os serviços pactuados não sejam integralmente oferecidos.

A direção afirma que haverá acompanhamento mensal dos indicadores, incluindo internações, exames e ocupação. Uma nova avaliação está prevista para verificar a manutenção do enquadramento.

O presidente Agoncinho Vendramini destaca que o objetivo agora é consolidar o porte 3 e, futuramente, buscar uma classificação ainda maior. Para isso, segundo ele, serão necessários novos avanços na estrutura e na quantidade de serviços disponibilizados.

Mudança não elimina déficit

Apesar do aumento no repasse, a direção reforça que o recurso não resolve a situação financeira da instituição. O hospital possui despesas mensais elevadas e mantém uma operação que, segundo os gestores, ainda apresenta diferença entre receitas e custos.

A mudança de porte deverá contribuir para reduzir parte desse déficit, mas os novos serviços também representam aumento de despesas. A instituição terá de arcar, por exemplo, com contratação de profissionais, encargos trabalhistas, medicamentos, materiais e procedimentos necessários para cumprir as metas assumidas.

A direção também aponta que os valores pagos pelo SUS não acompanham integralmente os custos dos atendimentos realizados pelo hospital, o que contribui para o desequilíbrio financeiro.

Obras seguem em diferentes setores

Além da mudança de porte, o hospital mantém uma série de obras e melhorias estruturais. A principal delas neste momento é a reforma da área destinada à saúde mental, que está em fase final e tem previsão de conclusão estrutural até o fim de agosto.

Com a intervenção, o setor deverá ganhar cinco novos leitos. Após a conclusão da parte estrutural, será necessária a instalação dos móveis e equipamentos para colocar o espaço em funcionamento.

A direção destaca que a ampliação da saúde mental também foi importante para a evolução do hospital dentro dos critérios do programa estadual. Para completar a estrutura, porém, ainda são necessários itens como camas, sofás, televisão e outros equipamentos voltados ao conforto dos pacientes.

Outra intervenção em andamento é a reforma do pronto-socorro. O projeto prevê ampliação de aproximadamente 140 metros quadrados e tem prazo estimado de 12 meses. A obra também precisou ser atualizada em relação ao projeto elaborado originalmente, de 2021.

Entre as adequações está a instalação de um novo sistema de climatização, conforme exigências sanitárias. O sistema deverá utilizar ar externo e filtragem específica para o ambiente hospitalar. A alteração representa um custo adicional estimado entre R$ 600 mil e R$ 700 mil, recurso que a direção ainda busca viabilizar.

A administração também informou que a área administrativa do hospital já foi reorganizada e está em funcionamento, com setores como almoxarifado e administração concentrados em uma estrutura adequada às exigências da Vigilância Sanitária.

Outras melhorias previstas

A instituição também trabalha na revitalização da área externa do prédio, incluindo melhorias na entrada principal e a implantação de uma rampa de acesso para pessoas com deficiência.

Outro projeto é a criação de um jardim terapêutico voltado aos pacientes da saúde mental. A proposta é oferecer um espaço que complemente o tratamento convencional com atividades e contato com o ambiente externo.

Segundo a direção, a expectativa é que, nos próximos seis a 12 meses, diferentes obras e melhorias sejam concluídas no hospital.

A administração ressalta que a ampliação dos serviços e as obras dependem de recursos públicos, emendas e também do apoio da comunidade e de empresas. Mesmo com o avanço para o porte 3, a instituição continuará buscando apoio para manter a estrutura e garantir as condições necessárias para atender à crescente demanda do SUS.

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