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OAB Criciúma leva chamado pelo fim da violência contra a mulher ao Estádio Heriberto Hülse

Mobilização acontece neste sábado (15) durante a partida entre Criciúma e Goiás, com objetivo de levar informação e conscientização às arquibancadas e ao gramado

Entre o som da torcida e a movimentação das arquibancadas, uma mensagem de enfrentamento à violência contra a mulher vai ganhar espaço no Estádio Heriberto Hülse neste sábado, 15 de agosto. Durante a partida entre Criciúma e Goiás, a OAB Subseção Criciúma leva a campo uma ação da campanha “Agosto Lilás”, para proporcionar informação, conscientização e um chamado coletivo à sociedade.

A mobilização será realizada pela Comissão de Combate à Violência contra a Mulher e Acolhimento da Vítima e pela Comissão OAB por Elas da OAB Criciúma. Antes da partida, integrantes das comissões estarão nas entradas do estádio distribuindo materiais de conscientização ao público. Já no intervalo do jogo, advogadas entrarão no gramado com uma faixa alusiva à campanha, ampliando a visibilidade da mensagem entre os torcedores.

Os números ajudam a evidenciar o problema e dimensionar uma violência que, muitas vezes, permanece escondida dentro de casa. Segundo o Observatório da Violência Contra a Mulher de Santa Catarina, o Estado registrou 32 feminicídios entre janeiro e julho de 2026. Em todo o ano de 2025, foram 52 casos.

No mesmo período deste ano, quase 20 mil medidas protetivas foram requeridas em Santa Catarina, conforme dados do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) reunidos pelo Observatório. No ano passado, foram mais de 31 mil pedidos.

Para a presidente da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher e Acolhimento da Vítima da OAB Criciúma, Vania Pinheiro Rodrigues, ocupar um espaço de grande circulação e mobilização popular é também uma forma de levar a discussão para além dos ambientes onde ela tradicionalmente acontece. “É uma forma de mostrar que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa estar presente em todos os espaços da sociedade”, destaca.

Um problema que também está perto

Quando o olhar se volta ao Sul catarinense, os registros aproximam ainda mais essa realidade. De acordo com o Observatório da Violência Contra a Mulher de SC, nos primeiros sete meses desde ano, foram registrados 6.632 casos de violência contra a mulher no ambiente doméstico na região. O número representa uma média de 31,3 registros por dia, ou mais de uma ocorrência por hora.

Em Criciúma, outro indicador demonstra a dimensão da procura por proteção. Segundo dados do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, somente entre janeiro e abril de 2026, a comarca de Criciúma registrou 470 demandas relacionadas a medidas protetivas de urgência, ficando entre as comarcas catarinenses com maior volume desse tipo de demanda no período.

“Números como esses reforçam que a violência contra a mulher não é um problema que deve ser enfrentado apenas pelas mulheres. É uma responsabilidade coletiva. Precisamos envolver os homens, as famílias e toda a comunidade nesse debate. Quanto mais falamos sobre o assunto, mais contribuímos para reconhecer situações de violência, romper a naturalização dessas condutas e mostrar que existem caminhos para buscar ajuda”, afirma Vânia.

Acolhimento para além do Agosto Lilás

A mobilização no Heriberto Hülse integra uma atuação que não se limita ao mês de agosto. Por meio da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher e Acolhimento da Vítima, a OAB Criciúma mantém ações de conscientização e orientação, ao mesmo tempo em que busca ampliar o debate sobre o enfrentamento à violência contra a mulher nos diferentes espaços da sociedade.

Para o presidente da OAB Subseção Criciúma, Moacyr Jardim de Menezes Neto, a presença da instituição nessa pauta reflete um compromisso que precisa ser permanente. “Essa mobilização no estádio é uma ação importante pela dimensão que alcança, mas ela faz parte de um trabalho que precisa continuar todos os dias. Nosso compromisso é contribuir para que a informação circule, para que o debate avance e para que cada vez mais pessoas compreendam seu papel no enfrentamento à violência contra a mulher”, ressalta.

Esse trabalho também se traduz em acolhimento e orientação às vítimas. A Subseção conta com a Comissão OAB por Elas, que oferece aconselhamento jurídico gratuito a mulheres em situação de violência, aproximando-as de informações sobre seus direitos e dos caminhos disponíveis para buscar proteção.

“Além de falar sobre o problema, precisamos fazer com que a informação chegue a quem precisa dela. Muitas vezes, conhecer seus direitos e saber onde buscar orientação pode ser decisivo para uma mulher que vive uma situação de violência. Por isso, conscientização e acolhimento precisam caminhar juntos. Queremos que as mulheres saibam que existem caminhos, orientação e uma rede que pode ser procurada”, finaliza a vice-presidente da OAB Criciúma, Janaína Alfredo da Rosa.

Denunciar é uma forma de proteger

Romper o silêncio pode ser um passo decisivo para interromper um ciclo de violência.

Mulheres em situação de violência, ou qualquer pessoa que tenha conhecimento de uma situação, podem procurar orientação e registrar denúncias por meio do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher). O serviço é gratuito, funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Nos casos em que a violência estiver acontecendo naquele momento ou houver uma situação de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Sobre a OAB Subseção Criciúma

A OAB Subseção Criciúma é uma instituição com mais de 45 anos de história, dedicada à defesa da advocacia e à promoção da justiça. Fundada em 1977, cresceu com a missão de preservar a ética, a lei e os direitos de todos os cidadãos. Por meio de comissões temáticas, eventos e parcerias, atua de forma ativa e acolhedora na sociedade, fortalecendo a advocacia e promovendo o bem-estar social.

Texto: Francine Ferreira

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