O que para muitos é apenas uma miniatura, para Hilbe Mariot, morador do Bairro de Rio América, em Urussanga, é resultado de meses de trabalho, paciência e uma paixão que começou há quase dez anos. Chapeador e pintor automotivo de profissão, ele dedica as horas de folga à construção artesanal de caminhões em miniatura que impressionam pela semelhança com os veículos reais.
Cada modelo é feito praticamente do zero. Com exceção das rodas, compradas prontas em plástico, todas as demais peças são produzidas manualmente por Hilbe. Cabine, chassi, motor, suspensão, detalhes da carroceria e até componentes da parte inferior do caminhão são confeccionados um a um, tornando cada miniatura uma peça única.
A história começou em 2017, quando encontrou na internet a foto de uma miniatura tão perfeita que, à primeira vista, acreditou estar olhando para um caminhão de verdade. “Quando percebi que era uma miniatura, pensei: eu vou ter que aprender a fazer isso”.
Apaixonado por caminhões desde criança, ele escolheu um clássico Mercedes-Benz LP321, conhecido como “cara chata”, para ser seu primeiro projeto. Fotografou o caminhão original, tirou medidas, fez os cálculos de escala e desenhou cada peça antes de iniciar a construção.
O primeiro modelo foi feito em MDF, madeira e chapas de alumínio. Hoje, após anos aperfeiçoando a técnica, utiliza principalmente PVC, material que permite maior precisão nos acabamentos.
Cada caminhão leva meses para ficar pronto
O processo exige muito mais do que habilidade manual. Cada caminhão passa por uma etapa de estudo, adaptação das medidas e planejamento da montagem.
Hilbe trabalha na escala 1:20. Para isso, utiliza projetos técnicos adquiridos de modelistas de outras regiões do país, adapta as medidas em computador e depois inicia a fabricação das peças.
Dependendo da complexidade, uma miniatura pode levar de dois a três meses para ser concluída, já que a produção acontece apenas nas horas vagas. “Se eu trabalhasse só nisso, acredito que faria um em aproximadamente um mês”.
Os caminhões chegam a medir entre 50 e 60 centímetros de comprimento, variando conforme o modelo original.
Tudo é feito manualmente
O que mais chama a atenção nas miniaturas é a fidelidade aos veículos reais.
Além da carroceria, Hilbe reproduz motor, chassi, sistema de suspensão e diversos componentes inferiores que normalmente nem ficam visíveis quando o caminhão está exposto. “Procuro colocar o máximo de detalhes possível. Quanto mais detalhes, mais parecido ele fica com o caminhão de verdade”.
Em alguns projetos, chegou a fabricar cabine com portas funcionais e interior completo.
Pintura segue o mesmo processo de um automóvel
A experiência de décadas trabalhando com funilaria e pintura automotiva faz toda a diferença no acabamento das miniaturas. O processo é exatamente o mesmo utilizado em veículos reais.
Primeiro, as peças recebem preparação da superfície e fundo PU. Depois, são pintadas com tinta PU utilizando pistola de pintura. Quando há adesivos personalizados, eles são aplicados antes da peça receber o verniz final.
“A pintura é igual à de um carro”.
Para conseguir esse padrão de qualidade, Hilbe também precisou investir em equipamentos específicos, como serra-fita, lixadeiras e outras ferramentas utilizadas exclusivamente na fabricação das miniaturas.
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Produção é totalmente sob encomenda
Os dois primeiros caminhões foram feitos apenas para aprendizado, mas acabaram sendo vendidos rapidamente. A partir daí, o trabalho passou a ser divulgado pela internet e o famoso “boca a boca” fez surgir uma fila de clientes. Desde então, todas as miniaturas são produzidas sob encomenda.
Ao todo, Hilbe estima já ter construído cerca de 30 caminhões, enviados para diversas cidades catarinenses, como Urubici, Chapecó, Indaial e Turvo. Atualmente, ele já possui cerca de cinco novos pedidos aguardando produção.
Muito mais que um brinquedo
Apesar do tamanho reduzido, as miniaturas não são feitas para brincar. Segundo Hilbe, praticamente todos os clientes são colecionadores ou pessoas que desejam eternizar um caminhão que marcou a história da família.
Muitas encomendas chegam como presentes de aniversário ou homenagens. Uma delas foi feita por uma filha que queria presentear o pai com a réplica da Scania que ele dirigia décadas atrás. Como havia apenas uma fotografia antiga, Hilbe utilizou a imagem como referência para recriar cada detalhe do veículo. “Até hoje não fiz nenhum caminhão para criança. Todos são para adultos, para colecionar ou guardar uma lembrança”.
Um hobby que virou paixão
Mesmo aposentado, Hilbe continua trabalhando alguns dias em uma oficina de funilaria e pintura, mas sonha em dedicar ainda mais tempo às miniaturas. Mais do que uma fonte de renda, a atividade representa satisfação pessoal.
Ele explica que o verdadeiro valor está nas centenas de horas investidas em cada projeto. “Tem que gostar muito do que faz. Às vezes você passa bastante tempo fazendo uma peça, erra e precisa começar tudo de novo. Mas quando chega no final, vê o caminhão montado, pintado e pronto, é muito gratificante”.
Cada miniatura produzida por Hilbe Mariot carrega não apenas a fidelidade aos caminhões originais, mas também a dedicação de quem transforma chapas de PVC em verdadeiras obras de arte feitas à mão, peça por peça, preservando histórias e despertando a memória afetiva de quem viveu ou ainda vive o universo das estradas.
Contato para encomendas: (48) 99831-5486
Confecção das peças:
























Alguns caminhões concluídos




































Hilbe em sua oficina










