O ronco dos motores tomou as ruas de Cocal do Sul na manhã deste domingo (27). Sessenta e três tratores e cerca de 80 caminhões cruzaram a cidade levando agricultores, caminhoneiros e famílias até o Centro de Eventos, no Jardim Itália.
Na chegada, uma cena chamou a atenção: o padre Orlando Cechinel esperava os veículos e, com água benta, abençoava um a um. Assim começou o último dia da CocalFest, dedicado também à II Festa do Colono e do Caminhoneiro.
Para o prefeito Ademir Magagnin, a manhã mostrou uma parte de Cocal do Sul que nem sempre ganha as ruas. “Foi bonito ver tantas famílias reunidas e a cidade tomada por caminhões e tratores. São pessoas que vivem da terra e da estrada, que trabalham muito e fazem parte da história de Cocal do Sul. Hoje foi dia de reconhecer tudo isso”, resumiu.
Nem a chuva afastou os agricultores. O passeio reuniu 63 tratores, muitos deles enfeitados para a ocasião. O secretário de Agricultura, Adriano Possamai, responsável pela organização, comemorou a participação. “Conseguimos trazer os agricultores com as famílias para a CocalFest e fechamos com 63 tratores. Atingimos nosso objetivo”, afirmou.
No meio das máquinas estavam histórias de quem fez da agricultura uma escolha de vida. João Paulo Pignatel, de 46 anos, trabalha com banana e lenha e é agricultor desde sempre. “É muito importante um encontro desses para mostrar a importância dos agricultores que nós temos aqui. É uma enorme satisfação ser produtor em Cocal do Sul”, contou.
Vanilson Ascari chegou a seguir outro caminho. Trabalhou durante 11 anos na indústria, formou-se técnico em eletromecânica e depois em Agronomia, mas decidiu voltar para a propriedade da família, na Linha Braço Cocal. Hoje trabalha ao lado da mãe e da irmã, principalmente com produção de leite, milho e soja.
“Eu decidi ficar em casa e tocar a nossa propriedade, levando o nome da família para frente. Estou muito realizado e muito contente em dizer que sou agricultor”, disse. Para ele, colocar os tratores nas ruas também é uma forma de tornar esse trabalho mais visível. “O agricultor é uma indústria a céu aberto. Um evento assim permite mostrar um pouco da nossa história”, disse, emocionado.
Os caminhoneiros vieram em outro grande comboio, com aproximadamente 80 veículos. O vereador Marcelo Dalló, responsável pela mobilização, lembrou que a festa nasceu para reunir duas atividades muito presentes no município. “É um dia especial para comemorar com os nossos caminhoneiros, irmãos da estrada, e com os agricultores. Uma festa dedicada a eles”, ressaltou.
Depois do desfile e da bênção dos veículos, a programação seguiu com missa campal celebrada pelo padre Orlando. “Que Deus proteja nas estradas e proteja todos os agricultores”, desejou.
A cerimônia também reservou espaço para homenagens. Dez colonos receberam medalhas pelo trabalho e pela história construída no município. Outros 20 caminhoneiros, já falecidos, foram lembrados e tiveram a homenagem recebida pelos familiares.
Ao meio-dia, um costelaço reuniu cerca de 800 pessoas, entre homenageados, familiares, convidados e equipes envolvidas na realização da festa.
O domingo também fechou o 31º Festival de Dança, iniciado ainda na quinta-feira, primeiro dia da CocalFest. Ao todo, 15 grupos passaram pelo palco durante o festival. A programação teve ainda o XIX Encontro Regional da Canção Italiana, reunindo música e tradição italiana neste último dia de festa.
“Esse domingo conseguiu reunir muito do que faz parte da nossa história: o agricultor, o caminhoneiro, a fé, a cultura italiana, a dança e as famílias. É uma forma especial de chegar ao último dia da CocalFest e fechar também essa programação dos 35 anos de Cocal do Sul”, resumiu o secretário de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer, Juarez Fogaça.
A CocalFest entra agora nas últimas horas. Evandro Lins sobe ao palco às 18h e, às 19h30, o Tchê Barbaridade encerra os quatro dias de programação.






