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Operação que teve alvo em Cocal do Sul resulta em denúncia contra 14 integrantes de grupo neonazista

Ministério Público aponta atuação da organização em quatro estados; investigação identificou estrutura hierarquizada, disseminação de discursos de ódio e ações coordenadas

Uma investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) que teve desdobramentos em Cocal do Sul resultou na denúncia de 14 supostos integrantes de uma organização criminosa neonazista com atuação em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. A denúncia foi apresentada à Justiça nesta segunda-feira (15) e aguarda recebimento. Caso seja aceita, os investigados passarão à condição de réus em ação penal.

A cidade de Cocal do Sul esteve entre os municípios onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão durante a Operação Nuremberg, deflagrada em outubro de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), por meio do CyberGAECO.

Segundo o Ministério Público, os denunciados integrariam uma organização criminosa estruturada, com liderança definida, regras internas e atuação voltada à disseminação da ideologia neonazista, além da promoção de discursos de ódio relacionados a questões raciais, políticas, religiosas e de orientação sexual.

Entre os denunciados estão o suposto líder do grupo, identificado pelos próprios integrantes como o “Führer brasileiro”, seu principal auxiliar, uma escrivã da Polícia Civil de São Paulo, um policial militar paulista, um advogado e outros integrantes apontados como participantes da organização. Oito deles também foram denunciados pelos crimes de racismo e apologia ao nazismo.

Estrutura organizada e encontros presenciais

As investigações apontam que o grupo possuía uma estrutura organizada, com fichas de ingresso, mensalidades obrigatórias, produção de camisetas exclusivas e encontros presenciais frequentes. Os integrantes utilizavam como símbolo o chamado “Sol Negro”, associado ao ocultismo nazista e à supremacia branca.

De acordo com a denúncia, os membros promoviam a divulgação de conteúdos extremistas em ambientes virtuais, utilizando perfis falsos e fóruns para propagar ideias supremacistas. O Ministério Público também aponta indícios de envolvimento de integrantes em atos de violência física.

As apurações revelaram ainda que o grupo realizava reuniões para planejar ações denominadas de “rolês”, que consistiriam em deslocamentos organizados com o objetivo de identificar, perseguir e confrontar pessoas consideradas adversárias ideológicas. A investigação também identificou a elaboração de dossiês com informações sobre possíveis alvos.

Operação alcançou quatro estados

A Operação Nuremberg cumpriu 21 mandados de busca e apreensão nos estados de Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Sergipe. Além de Cocal do Sul, as ações ocorreram em cidades como Jaraguá do Sul, Curitiba, São José dos Pinhais, Campinas, Osasco, São Paulo e Aracaju.

Durante as buscas, foram apreendidos materiais de apologia ao nazismo, armas brancas, facas e socos ingleses.

O nome da operação faz referência aos Julgamentos de Nuremberg, realizados após a Segunda Guerra Mundial, que marcaram a responsabilização de pessoas envolvidas em crimes ligados ao nazismo. Segundo o Ministério Público, a denominação simboliza o combate a grupos extremistas que atentam contra o Estado Democrático de Direito e propagam ideologias de intolerância e violência.

As investigações foram conduzidas pelas 39ª e 40ª Promotorias de Justiça da Capital, com apoio do GAECO e do CyberGAECO. O caso segue em tramitação na Justiça.

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