A perda do acesso à cota anual de preferência tarifária para exportação de arroz à União Europeia acendeu um sinal de alerta no setor arrozeiro brasileiro. Segundo o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), o esgotamento do limite de 6.667 toneladas previsto no acordo entre Mercosul e União Europeia por Argentina e Uruguai reduziu o espaço do produto brasileiro no mercado europeu, considerado estratégico por oferecer melhor remuneração aos produtores.
Para a entidade, a situação representa uma oportunidade perdida para ampliar as exportações catarinenses e reforça a necessidade de buscar novos mercados internacionais. O sindicato argumenta que o arroz produzido no Brasil possui elevado padrão de qualidade, respaldado pelos controles e certificações realizados por órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil exportou quase 79 mil toneladas de arroz em abril de 2026. No entanto, o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, avalia que o volume ainda está distante do necessário para equilibrar a oferta interna e recuperar os preços pagos ao produtor.
Segundo ele, seria necessário exportar pelo menos 1,5 milhão de toneladas para absorver o excedente existente no mercado. Rampinelli destaca que, mesmo em um cenário de alta produção mundial, o arroz brasileiro continua competitivo devido à sua qualidade e aos rigorosos padrões de inspeção adotados no país.
Concorrência internacional preocupa setor
Entre os principais desafios apontados pelo SindArroz-SC está a concorrência com países do Mercosul, especialmente o Paraguai. A entidade defende a revisão de aspectos do Tratado de Assunção, que permite a circulação do produto entre os países do bloco sem incidência de tarifas.
Conforme o sindicato, os custos de produção e a carga tributária mais baixos no Paraguai tornam o arroz daquele país mais competitivo no mercado internacional. Além disso, a oscilação cambial também afeta o setor, já que os custos internos são calculados em reais, enquanto as negociações de exportação ocorrem em dólar.
Pedido por incentivos e novos mercados
Diante do cenário, o SindArroz-SC defende a adoção de políticas públicas voltadas ao fortalecimento das exportações. Entre as medidas sugeridas estão a abertura de novos mercados consumidores, a ampliação das cotas em acordos comerciais, a redução dos custos logísticos e portuários e a simplificação dos processos de exportação.
Para a entidade, essas ações seriam fundamentais para ampliar as vendas externas, reduzir os impactos da crise enfrentada pelo setor desde a safra de 2024 e garantir maior competitividade ao arroz produzido em Santa Catarina, estado responsável por cerca de 15% do abastecimento nacional do cereal.





