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Design é escolha, e toda escolha revela valores

Todo ambiente comunica. Mesmo quando tenta se calar

Por Atna Arquitetura — Arquitetas Leka Costa e Maria Eduarda

Existe um mito persistente no design contemporâneo: o da neutralidade.
A ideia de que alguns espaços apenas “funcionam”, sem dizer nada.
Isso não existe.

Todo ambiente comunica. Mesmo quando tenta se calar.

A casa que acumula móveis demais costuma revelar pressa, decisões tomadas sem pausa, compras feitas para preencher vazios que não eram espaciais.

O escritório excessivamente branco, duro e iluminado demais costuma falar de produtividade levada ao limite, onde pausa vira culpa.

Já os espaços que respiram, que deixam áreas livres, que não explicam tudo de imediato, geralmente denunciam um valor raro hoje: tempo.

“O espaço nunca é passivo. Ele molda comportamento, ritmo e até a forma como as pessoas se relacionam entre si” – Leka Costa, arquiteta da Atna Arquitetura

Projetar é decidir.
E decidir é assumir valores, inclusive naquilo que parece pequeno.

A altura da mesa onde a família se senta todos os dias.
A escolha entre uma cozinha integrada que convida à conversa ou uma fechada que isola.
A iluminação direta sobre a bancada de trabalho ou uma luz difusa que permite respirar entre uma tarefa e outra.

Nada disso é detalhe.
É vida real em forma de espaço.

Quando o espaço acolhe o uso real, ele deixa de ser cenário

Em um mundo saturado de estímulos, o excesso deixou de ser sinônimo de sofisticação. Hoje, ele cansa.
Casas com informação demais exigem manutenção constante. Ambientes de trabalho cheios de estímulos visuais drenam energia sem que a gente perceba.

Segundo Maria Eduarda Meneguel, arquiteta da Atna Arquitetura, “quando o espaço exige esforço para ser compreendido, ele já começou errado. Um bom projeto se revela no uso diário, não na explicação técnica”.

É fácil reconhecer isso na prática:

– a sala bonita que nunca é usada porque tudo parece “arrumado demais”;
– o home office esteticamente impecável, mas onde ninguém consegue se concentrar;
– o restaurante visualmente impactante, mas desconfortável depois de vinte minutos.

Design que funciona é aquele que some enquanto a vida acontece.

Conforto não é desleixo. É projeto bem resolvido

A estética, quando faz sentido, não vem antes.
Ela aparece como consequência.

Antes da forma, existe a pergunta silenciosa que poucos projetos fazem:
como esse espaço será vivido todos os dias?

Quem acorda cedo precisa de luz suave pela manhã.
Quem chega cansado no fim do dia precisa de menos estímulo, não mais.
Famílias precisam de espaços que suportem bagunça temporária sem colapsar visualmente.

“Projetar é entender o desejo do outro sem romantizar a rotina. É criar espaços que sustentem a vida como ela é” – Leka Costa

Quando essa pergunta guia o processo, o espaço deixa de ser vitrine.
Ele vira estrutura.

Dormir bem também é um projeto de design

Materiais honestos, escolhas contidas e coerência entre função e estética não são tendência.
São valores aplicados no cotidiano.

Madeira que aceita marcas do tempo.
Tecidos que envelhecem melhor do que brilham.
Layout que permite mudar a casa sem precisar refazer tudo.

“A beleza que permanece é aquela que não exige esforço para ser mantida” – Maria Eduarda Meneguel

No fim, o design sempre revela mais do que aparenta.
Revela como moramos.
Como trabalhamos.
Como descansamos, ou não.

Projetar é assumir responsabilidade sobre isso.
Porque o espaço sempre entrega quem somos.
Mesmo quando achamos que ele está apenas ali.

Quando o espaço acolhe a vida real, ele permanece

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