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PM apresenta dados da violência contra a mulher em Urussanga; média é de um caso a cada três dias

Dados apresentados pela Polícia Militar na Câmara mostram 784 ocorrências nos últimos seis anos; município ainda tem os menores índices da área do comando

Urussanga registrou 35 casos de violência doméstica contra a mulher apenas nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. O dado foi apresentado durante a reunião ordinária da Câmara de Vereadores realizada na noite dessa terça-feira (10), quando representantes da Polícia Militar participaram de um debate sobre o tema no município. Apesar do número expressivo, um levantamento da corporação mostra que Urussanga tem os menores índices entre os municípios atendidos pela 2ª Companhia do 29º Batalhão da Polícia Militar.

A proposição para a presença da PM com os números foi feita pela vereadora Meri Mafra, e a apresentação pelo capitão Valdir Cristóvão de Oliveira Jr., comandante da companhia, com participação da cabo Maíra, referência regional no programa Rede Catarina de Proteção à Mulher. Segundo os dados apresentados, nos últimos seis anos foram registrados 784 casos de violência doméstica no município, o que representa uma ocorrência a cada quase três dias.

“Nos últimos seis anos, a cada três dias uma mulher é vítima de violência doméstica nesse município. São cerca de 67 horas entre um caso e outro”, explicou a cabo Maíra durante a apresentação.

Dados preocupam, mas Urussanga tem menores índices da região

Durante a explanação, a policial apresentou também um comparativo entre Urussanga e outros municípios atendidos pelo 29º Batalhão da Polícia Militar, que atua em sete cidades da região. Além de Urussanga, o batalhão atende Balneário Rincão, Içara, Lauro Müller, Morro da Fumaça, Orleans e Cocal do Sul.

De acordo com a análise, Urussanga apresenta os menores números de violência doméstica entre essas cidades, inclusive quando comparada com municípios de população semelhante.

“Quando comparamos com outros municípios da região, como Orleans, por exemplo, que tem população semelhante, os números são quase o dobro. Entre os sete municípios atendidos pelo batalhão, Urussanga tem os menores índices”, destacou Maíra.

Ainda assim, ela alertou que números menores não significam necessariamente ausência de violência. “Nem sempre números baixos querem dizer que não existe crime. Muitas vezes a violência acontece dentro de casa e a vítima ainda não denuncia”, afirmou.

Violência doméstica é realidade em todo o estado

A cabo Maíra também apresentou um panorama estadual da violência contra a mulher. Entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025, Santa Catarina registrou mais de 438 mil casos de mulheres vítimas de violência doméstica, segundo dados da Polícia Militar.

Em relação ao feminicídio, o estado já registrava oito casos entre janeiro e fevereiro de 2026, número semelhante ao do mesmo período do ano passado. Em 2025, o estado encerrou o ano com 52 feminicídios.

Para a policial, os números reforçam a necessidade de ampliar ações de prevenção e conscientização. “A violência doméstica acontece diariamente, muitas vezes debaixo dos nossos olhos, no nosso bairro ou na casa ao lado. Precisamos refletir sobre o que estamos fazendo para enfrentá-la”, disse.

Trabalho da Polícia Militar vai além do atendimento da ocorrência

Durante a sessão, o capitão Valdir Cristóvão destacou que o trabalho da Polícia Militar não termina quando a viatura atende uma ocorrência. Segundo ele, o acompanhamento das vítimas é uma das principais estratégias para evitar novos episódios de violência.

“Quando a mulher consegue romper o ciclo e denunciar, é aí que começa o nosso trabalho. Não é apenas atender a ocorrência e ir embora. É acompanhar, orientar e garantir que ela tenha apoio”, afirmou.

Ele citou como exemplo o trabalho desenvolvido pela cabo Maíra na região, que acompanha cerca de 300 mulheres vítimas de violência doméstica. “É um acompanhamento constante. É perguntar se está tudo bem, se houve descumprimento de medida protetiva. É uma preocupação diária”, explicou o comandante.

Programa Rede Catarina busca prevenir novos casos

Um dos principais instrumentos utilizados pela Polícia Militar é o programa Rede Catarina de Proteção à Mulher, criado para prevenir e enfrentar a violência doméstica.

Entre as ações do programa estão:

  • acompanhamento de mulheres com medidas protetivas
  • visitas periódicas das guarnições
  • orientação jurídica e social às vítimas
  • integração com serviços públicos como CRAS e CREAS

Durante o atendimento, policiais também orientam as vítimas sobre direitos, benefícios sociais e caminhos para romper o ciclo de violência. “Às vezes a mulher tem um documento que pode mudar a vida dela e não sabe como usar. Nosso papel é orientar e acompanhar”, explicou Maíra.

Botão do pânico ajuda a salvar vidas

Outra ferramenta destacada na apresentação foi o “botão do pânico”, disponível no aplicativo PMSC Cidadão. A funcionalidade é disponibilizada para mulheres que possuem medida protetiva e permite acionar rapidamente a Polícia Militar em caso de risco.

Segundo a cabo Maíra, a tecnologia pode fazer diferença em situações críticas. “A mulher aperta o botão e a ocorrência já é gerada automaticamente, com georreferenciamento. A viatura é acionada imediatamente. Cada minuto importa para quem está em situação de violência”, afirmou.

Denúncia ainda enfrenta barreiras

Apesar das ferramentas existentes, muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades para denunciar agressões.

Durante a sessão, a policial apontou alguns dos principais obstáculos:

  • dependência financeira do agressor
  • preocupação com os filhos
  • medo de represálias
  • impacto psicológico após anos de violência

“Muitas mulheres escutam diariamente que ninguém vai querer ficar com elas, que não têm valor. Isso destrói o psicológico e dificulta a denúncia”, explicou. Para ela, ampliar o acesso a atendimento psicológico e campanhas de conscientização pode ajudar a mudar esse cenário.

Violência doméstica exige ação de toda a sociedade

Ao final da apresentação, a policial destacou que o combate à violência contra a mulher não depende apenas da polícia. “A violência doméstica não é responsabilidade só da Polícia Militar. A família, os vizinhos, as instituições e o poder público também precisam agir”, disse.

Ela reforçou que denunciar é essencial para salvar vidas. “Quando ajudamos uma vítima de violência doméstica, ajudamos toda uma sociedade. Por trás daquela mulher existem filhos, familiares e toda uma comunidade.”

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