O Tribunal do Júri da Comarca de Içara condenou, nesta quinta-feira (23), um homem a 34 anos, sete meses e 12 dias de reclusão pelos crimes de feminicídio qualificado e ocultação de cadáver. O crime ocorreu em 4 de novembro de 2025, em Balneário Rincão, quando a vítima, de 27 anos, foi morta justamente no dia do seu aniversário.
Os jurados acolheram integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que sustentou que a mulher foi assassinada por asfixia, em um contexto de violência doméstica e familiar. Conforme ficou comprovado durante o julgamento, o réu utilizou um cadarço para aplicar um golpe conhecido como “mata-leão”, causando a morte da companheira por estrangulamento.
Após o assassinato, o homem escondeu o corpo da vítima dentro da estrutura de uma cama box e empilhou colchões sobre o local, na tentativa de ocultar o cadáver. Somente no dia seguinte ele se apresentou à polícia acompanhado de um advogado, confessou o crime e indicou onde o corpo estava escondido.
Durante a instrução processual, familiares da vítima relataram que o relacionamento era marcado por agressões, ameaças e constantes conflitos. A mãe, a avó e uma tia contaram que a jovem frequentemente comentava sobre episódios de violência praticados pelo companheiro. Dois dias antes do feminicídio, segundo o depoimento da mãe, ela chegou a buscar abrigo na casa da família após ser ameaçada de morte pelo réu. No dia seguinte, retornou à residência do companheiro para buscar alguns pertences e desapareceu.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Polícia de Balneário Rincão, que reuniu as provas necessárias para esclarecer o crime. Após fugir da cidade, o autor foi localizado e preso em Porto Alegre (RS), onde tentava permanecer escondido para evitar a responsabilização.
Além da pena de prisão em regime inicial fechado, o condenado teve negado o direito de recorrer em liberdade. A Justiça também fixou uma indenização mínima de R$ 50 mil aos quatro filhos da vítima, pelos danos causados pelo crime.
A Polícia Civil destacou que a condenação representa o resultado do trabalho investigativo realizado desde os primeiros levantamentos até a localização e prisão do autor, reforçando o compromisso da instituição no combate à violência contra a mulher e na responsabilização de autores de crimes graves.
Canais de denúncia
Mulheres vítimas de violência doméstica ou testemunhas de agressões podem buscar ajuda pelos seguintes canais:
Polícia Militar: 190
Central de Atendimento à Mulher: 180
Polícia Civil: 181, além das Delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMIs) e do registro de boletim de ocorrência on-line.
Núcleo de Enfrentamento às Violências e de Apoio às Vítimas (NEAVIT), com unidades de atendimento em Santa Catarina.





