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Santa Catarina avança no enfrentamento à violência contra a mulher

Nova lei aposta na reeducação de agressores para conter reincidência e responde a cenário recorde de feminicídios no Brasil e no estado

Imagem do evento “Vivas e Decididas Contra o Feminicídio”, realizado no mês de março, na Alesc - Foto: Rodrigo Corrêa / Agência Alesc
Imagem do evento “Vivas e Decididas Contra o Feminicídio”, realizado no mês de março, na Alesc - Foto: Rodrigo Corrêa / Agência Alesc

Desde o dia 1º de abril, o governo de Santa Catarina sancionou 20 leis de iniciativa parlamentar, contemplando áreas estratégicas como enfrentamento à violência contra a mulher, inclusão social, educação, segurança pública e inovação tecnológica.

Entre os principais destaques está a Lei 19.788/2026, de autoria da Bancada Feminina, que institui programas reflexivos voltados a autores de violência doméstica e familiar no estado.

A legislação representa um avanço nas políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero ao propor não apenas a punição, mas também a reeducação dos agressores.

Programas focam responsabilização e prevenção

A norma prevê a criação de grupos de responsabilização com abordagem multidisciplinar, integrados à rede de proteção às vítimas.

O objetivo é atuar diretamente na raiz do problema, promovendo a conscientização dos autores e prevenindo a reincidência da violência.

A iniciativa segue uma tendência já adotada em outros estados e países, baseada no entendimento de que o combate efetivo à violência contra a mulher exige ações estruturais, capazes de romper ciclos de agressão e transformar comportamentos.

Cenário alarmante reforça urgência da lei

Os dados mais recentes evidenciam a gravidade do problema.

O Brasil registrou, em 2025, um recorde histórico de feminicídios, com 6.904 vítimas entre casos consumados e tentados — um aumento de 34% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 5.150 ocorrências.

Do total, foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, o que representa uma média de quase seis mulheres mortas por dia no país. Os números são do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina.

Em Santa Catarina, o cenário também preocupa. Somente no início de 2026, ao menos 15 casos de feminicídio já foram registrados, segundo dados da Polícia Civil, acendendo um alerta para o agravamento da violência de gênero no estado.

Em 2025, 52 mulheres foram vítimas de feminicídio em Santa Catarina, sendo a maioria dos crimes cometidos por ex-companheiros — o que reforça o caráter doméstico e recorrente desse tipo de violência.

Medida amplia foco das políticas públicas

Diante desse contexto, a sanção da Lei 19.788/2026 se consolida como uma medida estratégica e necessária, ao ampliar o foco das políticas públicas para além da proteção das vítimas, incluindo ações voltadas à responsabilização e reeducação dos agressores como forma de prevenir novos crimes.

Além desta, outras matérias de iniciativa legislativa também foram sancionadas, ampliando o alcance das políticas públicas em diferentes áreas e fortalecendo o papel do Parlamento catarinense na construção de respostas concretas às demandas da sociedade.

Texto: Valquíria Guimarães

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