A escassez de motoristas profissionais já afeta diretamente o transporte de cargas em Santa Catarina. Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Sul de SC (Setransc), Lorisvaldo Pilco, atualmente quase 8 mil caminhões estão parados no estado por falta de condutores.
Em entrevista ao programa Adelor Lessa, da Rádio Som Maior, o presidente afirmou que a situação preocupa não apenas o setor de transportes, mas também a indústria catarinense e a economia como um todo.
“Estamos agora com quase 8 mil caminhões parados por falta de motorista. É uma situação de preocupar muito não só os transportadores, mas também a nossa indústria e o nosso Estado. Isso ocorre no Brasil inteiro”, destacou.
De acordo com Pilco, diversos fatores contribuem para a falta de interesse pela profissão. Entre eles estão as condições das rodovias, a insegurança enfrentada pelos motoristas e questões relacionadas à remuneração. “As dificuldades nas rodovias, a infraestrutura precária e a insegurança inibem bastante o profissional a abraçar essa profissão”, afirmou.
Outro ponto levantado pelo dirigente é a dificuldade de renovação da mão de obra. Segundo ele, as próprias famílias acabam desencorajando os jovens a seguirem carreira no transporte rodoviário. “Os pais já não estimulam os filhos em função da insegurança. Vai e não sabe se volta. Além disso, as seguradoras não permitem acompanhantes nos caminhões, então os filhos não têm contato com a profissão e acabam não criando interesse”, explicou.
Trânsito e logística agravam cenário
Pilco também citou os congestionamentos constantes em trechos estratégicos do estado, especialmente na região de Itapema, Itajaí e Balneário Camboriú, como fatores que aumentam o desgaste dos profissionais. “É um caos. Hoje, a média dos nossos caminhões entre aqui e São Paulo é de apenas 39 quilômetros por hora. Isso significa mais consumo de combustível, mais poluição e mais tempo na estrada”, observou.
Segundo ele, o setor não vê soluções rápidas para reverter o problema e defende investimentos em modais alternativos, como o transporte ferroviário. “O Brasil precisava investir mais em trem. Estudos apontam que isso poderia reduzir em até 32% o custo logístico do país”, ressaltou.
Preocupação com combustíveis
Durante a entrevista, o presidente do Setransc também demonstrou preocupação com o aumento da mistura de biodiesel ao diesel e de etanol à gasolina.
Segundo Pilco, a ampliação dos percentuais pode impactar diretamente os custos de manutenção dos veículos pesados. “O biodiesel corrói componentes dos caminhões e aumenta os problemas mecânicos. Muitas vezes quando vemos um caminhão parado na estrada, a causa está relacionada à qualidade do combustível”, concluiu.




