Moradores do bairro Santa Luzia, em Urussanga, decidiram intensificar a mobilização para garantir a construção de retornos nos dois sentidos da SC-108, durante a duplicação da rodovia, que está em andamento. Em reunião realizada na noite dessa quarta-feira (21), a comunidade registrou 112 assinaturas e formou uma comissão que buscará uma reunião diretamente com o secretário de Estado da Infraestrutura, Ricardo Grando, para cobrar explicações e mudanças no projeto em execução.
Uma das lideranças da comunidade, Elaine Zanin, explicou que os moradores não têm informações oficiais sobre o projeto atual, mas extraoficialmente souberam que os acessos previstos após uma audiência pública realizada em 2023 não estariam sendo contemplados. Segundo ela, a intenção é conhecer o planejamento atualizado e reivindicar o cumprimento do que havia sido discutido na ocasião.
A comissão é formada por representantes da comunidade e lideranças políticas que participaram do encontro. Caso não haja atendimento às reivindicações, os moradores afirmam que poderão ingressar com um pedido de mandado de segurança para tentar interromper as obras.
Ata de audiência pública reforça reivindicação
Durante a reunião, foi feita a leitura da ata da audiência pública realizada em maio de 2023 pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Na ocasião, mais de 300 pessoas participaram da audiência, presidida pelo deputado estadual José Milton Scheffer, após a comunidade se mobilizar e organizar um abaixo-assinado para reivindicar melhorias no projeto original da duplicação.
Segundo os moradores, a proposta discutida previa dois pontos de retorno, um próximo ao início do bairro e outro na parte final, permitindo o deslocamento em ambas as direções. Agora, com o avanço das obras, a comunidade teme que o planejamento tenha sido alterado.
Moradores temem prejuízos para empresas e comunidades vizinhas
A principal preocupação é que o projeto atualmente em execução contemple apenas um retorno de mão única nas proximidades de Santa Luzia, atendendo motoristas que seguem de Urussanga em direção ao próprio município, mas sem garantir o acesso adequado para quem precisa sair do bairro em direção a Cocal do Sul e Criciúma.
Conforme Elaine, moradores que saírem de Santa Luzia para seguir em direção a Criciúma poderão precisar percorrer um trajeto maior até encontrar um retorno. A situação também preocupa as mais de 20 empresas instaladas às margens da rodovia, além de moradores de comunidades próximas, como Rio Carvalho, Bel Recanto e Bela Vista.
A liderança destacou que o acesso é importante não apenas para o deslocamento diário dos moradores, mas também para a logística das empresas e o desenvolvimento econômico do município. A comunidade também aponta preocupações com a segurança viária e a travessia de pedestres.
Outro ponto mencionado durante a reunião foi a disponibilidade de área para a ampliação do retorno. Segundo os moradores, o proprietário do terreno solicitado, Arnaldo Bez Batti, já manifestou que está disposto a ceder o espaço necessário para a intervenção.
Representantes da obra não compareceram
De acordo com os organizadores, representantes responsáveis pela execução da obra foram convidados para a reunião, mas não compareceram. Sem esclarecimentos oficiais sobre o projeto, a comunidade decidiu buscar diretamente o secretário estadual da Infraestrutura para apresentar as reivindicações e tentar uma solução.
A mobilização ocorre antes da conclusão da duplicação, período considerado pelos moradores como decisivo para garantir as mudanças. A avaliação é de que, depois de finalizada a obra, será mais difícil conseguir adequações.
A comissão agora trabalha para viabilizar o encontro com Ricardo Grando. Caso não haja resposta favorável, os moradores não descartam medidas judiciais e novas mobilizações para assegurar os acessos reivindicados desde a audiência pública de 2023.






