A Prefeitura de Orleans participou de uma visita técnica ao Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (CIMVI), em Timbó, com o objetivo de conhecer experiências de gestão de resíduos sólidos e soluções voltadas à economia circular que possam contribuir para a implantação do projeto Defesa Circular do Plástico no município.
A agenda reuniu representantes do poder público, empresários do setor plástico e instituições ligadas à cadeia de resíduos. A iniciativa foi organizada pelo Sindicato da Indústria Plástica do Sul de Santa Catarina e teve como propósito aproximar municípios e setor produtivo para conhecer, na prática, modelos que já vêm sendo desenvolvidos na região.
Durante a visita, a comitiva conheceu o modelo de gestão de resíduos desenvolvido em Timbó. Segundo as informações apresentadas durante a agenda, o sistema visitado atende 22 municípios e trabalha com uma lógica que busca ampliar a recuperação dos materiais, fazendo com que resíduos possam retornar à cadeia produtiva como matéria-prima, em vez de serem destinados diretamente como rejeitos.
O CIMVI atua de forma regionalizada na gestão de resíduos sólidos urbanos e desenvolve iniciativas voltadas à coleta, triagem, valorização e aproveitamento dos resíduos. Entre as estruturas existentes estão as Centrais de Valorização de Resíduos e diferentes soluções para coleta seletiva, triagem e aproveitamento dos materiais. O consórcio destaca a gestão integrada como uma forma de compartilhar estruturas, conhecimento e soluções entre os municípios.
Defesa Circular do Plástico
Para Orleans, a agenda tem uma importância que vai além da questão ambiental. O município possui uma forte presença da indústria do plástico em sua economia. De acordo com dados apresentados pelo prefeito Fernando Cruzetta, aproximadamente 31% da arrecadação municipal tem origem no setor plástico, o que torna a busca por soluções para o reaproveitamento dos materiais também uma estratégia de fortalecimento econômico.
A proposta do Defesa Circular do Plástico é trabalhar para que o plástico deixe de ser visto apenas como resíduo e passe a ser reinserido na cadeia produtiva sempre que houver viabilidade técnica. O projeto prevê uma atuação integrada, envolvendo poder público, empresas, escolas, população e catadores, desde a separação e coleta até o tratamento, reaproveitamento e transformação dos materiais.
A lógica da economia circular busca justamente manter os materiais em circulação pelo maior tempo possível, reduzindo o descarte e criando novas possibilidades de aproveitamento. No caso do plástico, isso significa estruturar uma cadeia em que o material descartado corretamente possa retornar como matéria-prima para novos processos e produtos.
“O plástico não é lixo, o plástico pode ser transformado em renda, pode ser transformado em recursos”, afirmou o prefeito Fernando Cruzetta durante entrevista concedida ao Portal 4oito durante a visita técnica.
Uma cadeia que começa na comunidade
Um dos pontos centrais do projeto é a necessidade de envolver toda a sociedade no processo. A proposta prevê ações de conscientização para melhorar a separação e o descarte dos resíduos, envolvendo escolas, servidores públicos, profissionais que atuam diretamente com a população, empresas e a comunidade.
A iniciativa também deverá contar com a participação de diferentes setores da Administração Municipal, incluindo a Fundação Ambiental e as Secretarias de Educação e Saúde, ampliando o trabalho de orientação e conscientização sobre a destinação correta dos resíduos.
Dessa forma, a implantação do projeto não depende apenas de uma nova tecnologia ou estrutura física. A proposta envolve a construção de uma cadeia integrada de valorização dos resíduos, na qual cada etapa — da separação dentro de casa à transformação industrial — contribui para que o material tenha uma nova utilidade.
Experiência de Timbó como referência
A visita ao CIMVI permitiu que representantes de Orleans conhecessem uma experiência regional já estruturada e avaliassem quais soluções podem ser adaptadas à realidade do município.
O modelo desenvolvido pelo CIMVI trabalha com gestão compartilhada dos resíduos e busca ampliar a recuperação dos materiais. O próprio consórcio apresenta a economia circular como uma estratégia para transformar desafios relacionados aos resíduos em oportunidades ambientais, sociais e econômicas.
A intenção da comitiva é levar o conhecimento adquirido em Timbó para a discussão sobre a implantação do Defesa Circular do Plástico no Sul de Santa Catarina, aproximando municípios e setor produtivo na construção de soluções conjuntas.
Projeto prevê implantação em Orleans
O projeto apresentado por Orleans já foi aprovado pelo Ministério do Meio Ambiente e, atualmente, encontra-se em fase de captação de recursos junto à iniciativa privada. A previsão divulgada é de que a implantação efetiva no município tenha início no começo de 2027.
A proposta é que Orleans não apenas desenvolva uma estrutura para receber e tratar resíduos, mas possa se tornar uma planta modelo, capaz de demonstrar, na prática, como a economia circular pode conectar meio ambiente, indústria, geração de valor e participação comunitária.
A visita ao CIMVI representa mais uma etapa nesse processo: conhecer experiências que já funcionam, identificar tecnologias e metodologias aplicáveis e fortalecer uma rede de parceiros para que o projeto avance de forma estruturada.
Poder público e setor produtivo unidos
A agenda também reforçou a importância da aproximação entre municípios e empresas para enfrentar os desafios relacionados aos resíduos plásticos. Para os representantes do setor, a destinação adequada é fundamental para que o plástico possa continuar integrado à cadeia produtiva e para que a indústria regional possa avançar em soluções de circularidade.
Com uma economia fortemente ligada à indústria do plástico, Orleans busca construir uma estratégia que una desenvolvimento econômico, responsabilidade ambiental e inovação, transformando o que hoje é descartado em possibilidade de reaproveitamento e geração de novos produtos.
A Prefeitura de Orleans seguirá trabalhando na articulação com empresas, instituições, municípios, consórcios e representantes da sociedade para estruturar as próximas etapas do Defesa Circular do Plástico.
A proposta é transformar resíduos em recursos, aproximar quem produz de quem cuida da destinação e construir uma nova relação com o plástico: mais responsável, mais eficiente e baseada na economia circular.






