Crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 de Cocal do Sul passam a receber gratuitamente sensores de monitoramento contínuo de glicose. A tecnologia permite acompanhar os níveis ao longo do dia e emite alertas quando estão muito altos ou baixos, trazendo mais segurança ao tratamento.
A secretária de Saúde, Giovana Galato, explica que uma das principais vantagens é reduzir as frequentes picadas nos dedos. “O sensor faz a leitura em tempo real e alerta quando a glicemia está muito elevada ou muito baixa. Isso traz mais segurança para o controle e facilita a rotina desses pacientes”, afirma.
A médica Lílian Jocken Stange explica que crianças e adolescentes que utilizam insulina podem apresentar variações importantes da glicemia ao longo do dia, inclusive em razão da alimentação e da prática de atividades físicas. “Com o sensor conseguimos identificar essas alterações e os pais também podem acompanhar pelo aplicativo no celular. Isso permite um monitoramento muito mais próximo”, explica.
Uma das primeiras beneficiadas é Ana Laura Rodrigues Branco, de 12 anos, diagnosticada com diabetes tipo 1 aos oito. A mãe, a empresária Aline de Souza Branco, lembra que a doença foi descoberta depois que a filha passou muito mal.
“A gente quase perdeu a Ana Laura. Depois conhecemos o sensor e começamos a usar, mas o custo é alto. Agora, receber pelo município vai ajudar bastante”, conta.
Para Aline, a tecnologia mudou principalmente a rotina da família. Antes, dependendo dos níveis de glicose da filha, era necessário acordar três ou quatro vezes durante a madrugada para fazer a medição com uma picada no dedo.
“Dói, incomoda e, com o tempo, cria calos nos dedinhos. Hoje ela pode estar na escola ou em um aniversário e eu consigo saber como está pelo celular. Os dados chegam para mim pelo aplicativo. Para a criança e para a família, isso é qualidade de vida”, relata.
Quem terá direito
O benefício é destinado a moradores de Cocal do Sul de 2 a 14 anos, com diagnóstico confirmado de diabetes mellitus tipo 1 e em uso de insulina. Também é necessário estar em acompanhamento regular com endocrinologista da rede pública municipal, ter prescrição médica atualizada e atender aos demais critérios previstos no protocolo.
A enfermeira e responsável técnica da Enfermagem, Morgana Bosa, explica que o acesso começa pela consulta com o endocrinologista, responsável pela avaliação e pelo preenchimento da documentação. Após análise da Secretaria Municipal de Saúde, a família será chamada para uma consulta de enfermagem, quando receberá o equipamento e as orientações de uso.
“Não se trata apenas de fornecer a tecnologia. A proposta é acompanhar a criança ou adolescente e a família, promovendo educação em saúde e mais segurança no manejo do diabetes”, explica Morgana.
O acompanhamento será contínuo e multiprofissional. A cada seis meses, o acesso será reavaliado considerando dados como hemoglobina glicada, episódios de hipoglicemia, possíveis internações e adesão ao tratamento.
Nesta primeira etapa, cinco crianças serão beneficiadas. A disponibilização dos sensores está condicionada à existência de recursos financeiros municipais





