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Iniciação ao skate amplia base esportiva e insere Criciúma no circuito nacional

Formação de jovens sustenta cultura da modalidade e dialoga com a permanência do STU National na cidade

O sol ainda é tímido e, aos poucos, projeta os primeiros raios sobre o concreto do Parque da Prefeitura. A luz se espalha sobre duas pranchas que cruzam a pista em direções opostas, enquanto o som das rodinhas ganha cadência e se mistura às tentativas, quedas e acertos.

Entre manobras ainda em construção, Miguel Duarte e Luiza Menegassi Gonçalves reconfiguram o espaço em território de aprendizado, convivência e projeção de futuro. Aos 12 anos, Miguel traduz nos gestos o que diz. “Eu gosto de compartilhar minha felicidade com os amigos andando de skate e me expressando”, afirma. 

Há três anos no projeto de Iniciação Esportiva, ele identifica uma mudança na forma como enxerga a própria trajetória. “Hoje eu me inspiro em quem participa do STU National e imagino que, no futuro, posso chegar lá”, projeta.

Luiza percorre um caminho semelhante, embora iniciado por acaso. A decisão pela prática esportiva a levou até a Fundação Municipal de Esportes (FME), mas foi a pista de skate que redefiniu a escolha. “Quando vi a pista, me encantei e decidi que era isso que eu queria”, relata. 

As trajetórias convergem e evidenciam o projeto de Iniciação Esportiva como vetor formativo. Para além do ensino das manobras, a escolinha estrutura um ambiente de socialização, disciplina e pertencimento.

Inclusão, disciplina e permanência na modalidade

Criado no fim de 2021, o projeto atende cerca de 40 crianças e adolescentes, com idades entre seis e 16 anos, com aulas gratuitas ao longo da semana. “O objetivo é estimular a prática inicial do skate com segurança, diversão e socialização”, explica o professor e treinador Ismael Lunardi, que está à frente das atividades. 

Segundo ele, o skate atua como ferramenta socioeducativa ao mobilizar valores e competências que ultrapassam a pista. Cooperação, respeito, superação individual e foco passam a integrar o processo formativo. “Durante as aulas, trabalhamos as modalidades street e park, sempre com respeito à individualidade de cada aluno, criando mais segurança e confiança”, afirma.

A presença de grandes eventos atua como elemento catalisador. A possibilidade de ver atletas profissionais no mesmo espaço onde treinam reconfigura o horizonte das crianças e adolescentes. “Com eventos como o STU na cidade, os alunos se desafiam mais e passam a ver que é possível viver do skate”, observa Lunardi.

A percepção se materializa no entusiasmo dos próprios praticantes. Miguel descreve o impacto dessa convivência simbólica. “Fico feliz em ver os skatistas que eu admiro andar na pista onde eu treino”, relata. 

Luiza projeta esse mesmo movimento para o futuro. “Ver Criciúma recebendo um evento assim é algo que admiro muito”, afirma.

A médio prazo, a política pública voltada ao skate tende a ampliar o alcance da modalidade no município. Para a presidente da FME, Robinalva Ferreira, o impacto ultrapassa a dimensão esportiva. “São dezenas de crianças e adolescentes que aprendem skate todos os anos. O projeto tem uma função social muito importante. A prática também consolida um perfil coletivo marcado por união e cooperação”, ressalta.

Criciúma rompe eixo das capitais e consolida protagonismo

Cenas como essas que partem do cotidiano dos treinos e alcançam outra escala voltam a ganhar projeção nacional em abril de 2026. Dos dias 10 a 12, o Parque da Prefeitura se transforma, mais uma vez, em vitrine de esporte, cultura urbana e reconfiguração de cidade, período em que o município recebe, pela sexta vez consecutiva, o STU National, principal circuito de skate do país.

Na disputa por visibilidade no cenário urbano brasileiro, Criciúma sustenta um percurso singular ao articular qualidade de vida, requalificação urbana e investimento contínuo em infraestrutura esportiva. O município passa a operar em um novo patamar de projeção, sustentado principalmente pela força dos parques.

Esse modelo urbano, fortalecido nos últimos 15 anos, consolida uma mudança de paradigma. Espaços antes subutilizados passam a compor um mosaico de áreas públicas voltadas à convivência, ao lazer e à prática esportiva, evidenciando uma política descentralizada que amplia o acesso e reconfigura o uso do território.

A construção do skatepark no Parque da Prefeitura, em 2020, inaugura uma nova fase ao posicionar o município como referência nacional em equipamentos voltados à modalidade. “O STU já criou raízes na nossa cidade. As edições anteriores foram marcadas por grande participação do público e pela capacidade de mobilizar a cidade”, observa o prefeito Vagner Espíndola.

A presença contínua do STU distingue Criciúma no cenário esportivo brasileiro. É a única cidade fora do eixo das capitais a sediar o circuito, que também passa por centros como Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Produtor do evento em Santa Catarina, Mark Puls aponta a infraestrutura como fator determinante. “A pista do Parque da Prefeitura já se destacava como uma das mais modernas do país e atendia aos critérios para receber atletas de nível olímpico”, afirma.

O aumento no número de praticantes, sobretudo entre crianças e jovens, evidencia um efeito formativo estruturado que dialoga diretamente com projetos como o de iniciação esportiva. A base se fortalece ao mesmo tempo em que o topo projeta a cidade nacionalmente, estabelecendo uma relação de continuidade entre formação e alto rendimento.

Ao mesmo tempo, a realização do circuito mobiliza diferentes setores da economia e reforça a centralidade do esporte como vetor de desenvolvimento urbano. “O STU projeta a cidade nacionalmente, fortalece a cultura esportiva e dialoga com um conjunto de investimentos que conduzimos para manter o município em evidência”, afirma Robinalva.

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